Monday, October 16, 2006

fantasma

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Olho ao espelho o ser grotesco que deixaste quebrado nas danças do tempo

Sabe-me a boca a gestos amorfos, a gestos percebidos.........

............................................................................. desentendidos

Deito-te ao vento… Mas hás de vingar nas raízes do meu medo

contornar todos os labirintos que desenhei.

És o espectro da minha alma!

Sunday, October 01, 2006

conquistar a insipidez

«A fantasia é a mãe da satisfação, do humor, da arte de viver. Apenas floresce alicerçada num íntimo entendimento entre o ser humano e aquilo que objectivamente o rodeia. Esse ambiente envolvente não tem de ser belo, singular ou sequer encantador. Basta que tenhamos tempo para a ele nos habituarmos, e é sobretudo isso que hoje em dia nos falta. »

Hermann Hesse, in 'Ainda da Felicidade'
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Saturday, September 30, 2006

simetrias

Olhares galgados pela correnteza de marés obscuras,

revoltam o sal dos corpos. Queixumes gemelares.

A intimidade confusa, perversa, sedenta

depois…

O sorriso, como se fosse um abraço, um beijo

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Wednesday, September 27, 2006

ouve

Deixa a brandura das tardes te entorpecer

relembrar-te onde estarias hoje

se os, ontem, não tivessem corrido por ti

como recados envenenados.

Corre até onde nada te possa tocar

desprende-te de desejos e toma em ti o ácido da solidão

observarás que os loucos envelheçem nos teus olhos

reencontrarás o voo dos pássaros e o brilho de mil cassiopeias.

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Que amanhã a doçura te tome

as tuas mãos, os teus cabelos, o teu sexo, o teu coração

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Espera no intervalo do dia

luz e trevas

espera pelo eterno visitante.

A seiva da tua tristeza será bebida.

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Wednesday, September 20, 2006

segredo

Helmut Newton
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fica entre nós os dois

Saturday, September 16, 2006

ausência

Pouso no tépido cadáver desconcertado de transparentes saudades.

Vêm ver-me gasto e sujo, amante dessas marias suicidárias. Vêm encontrar-me banhado de lua e sal no terraço das malvas sanguíneas, onde te jurei a fome dos loucos. Vêm ver-me enquanto não envelheço e não me quebro de miséria e medo.

Que a noite me contamine a razão, que me escarneçam os cães a tua ausência. Vêm tocar de doçura as chagas que rasgam este resto de corpo.

Pudesse beijar-te derradeiramente, como se hoje todas as estrelas deixassem de arder e remontar-me ao longo sono, pois sem o teu âmago espero a loucura.

Vivo de silêncio, vivo de nada.

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Wednesday, September 13, 2006

dúvida

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persiste...
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